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Resenha - O Apanhador no Campo de Centeio

Título original: The Catcher in the Rye

Título em coreano: 호밀밭의 파수꾼

Data de publicação: 16/07/1951

Nome do autor: Jerome David Salinger


Sinopse: É Natal, e Holden Caulfield conseguiu ser expulso de mais uma escola. Com uns trocados da venda de uma máquina de escrever e portando seu indefectível boné vermelho de caçador, o jovem traça um plano incerto: tomar um trem para Nova York e vagar por três dias pela grande cidade, adiando a volta à casa dos pais até que eles recebam a notícia da expulsão por alguém da escola. Seus dias e noites serão marcados por encontros confusos, e ocasionalmente comoventes, com estranhos, brigas com os tipos mais desprezíveis, encontros com ex-namoradas, visitas à sua irmã Phoebe — a única criatura neste mundo que parece entendê-lo — e por dúvidas que irão consumi-lo durante sua estadia, entre elas uma questão recorrente: afinal, para onde vão os patos do Central Park no inverno? Acima de todos esses fatos, preocupações e pensamentos, paira a inimitável voz de Holden, o adolescente raivoso e idealista que quer desbancar o mundo dos "fajutos", num turbilhão quase sem fim de ressentimento, humor, frases lapidares, insegurança, bravatas e rebelião juvenil.



 

“Muito bem. Então me escute um minuto… eu posso não expor isso da maneira memorável que eu desejaria, mas amanhã ou depois eu vou te escrever uma carta a respeito. Aí você pode entender tudo direitinho. Mas escute agora, mesmo assim.” Ele começou a se concentrar de novo. Aí ele disse, “Essa queda para a qual eu acho que você está se encaminhando — é um tipo especial de queda, um tipo horrendo. O homem que está caindo não tem o direito de sentir ou de se ouvir bater no fundo. Ele simplesmente vai caindo sem parar. A situação toda é feita para homens que, em algum momento da vida, estavam em busca de algo que o seu ambiente não podia lhes oferecer. Ou que eles achavam que o seu ambiente não podia lhes oferecer. Então eles desistiram de procurar. Desistiram ainda antes de começarem de verdade. Você está me acompanhando?”.

“Sim, senhor.”

“Certeza?”

“Certeza.”

Ele levantou e se serviu de mais bebida. Aí sentou de novo. Ficou um tempão sem abrir a boca.

“Eu não quero te meter medo”, ele disse, “mas eu posso claramente ver você morrendo com grande nobreza, de uma ou de outra maneira, por alguma causa totalmente desprovida de mérito.” Ele me olhou de um jeito esquisito. “Se eu escrever uma coisa pra você, você lê com cuidado? E guarda?”

“Leio. Certeza”, eu disse. E li mesmo. Eu ainda tenho o papelzinho que ele me deu.

Ele foi até uma mesa do outro lado da sala, e sem sentar anotou alguma coisa num pedaço de papel. Aí ele voltou e sentou com o papelzinho na mão. “Por mais estranho que possa parecer, isso aqui não foi escrito por um poeta profissional. Quem escreveu foi um psicanalista chamado Wilhelm Stekel. Olha o que ele — Você ainda está acordado?”